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    • 29 OUT 16
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    Dicas de saúde em Gastroenterologia: Intolerância a Lactose

    Dicas de saúde em Gastroenterologia: Intolerância a Lactose

    O que é?

    É a incapacidade de aproveitarmos a lactose, ingrediente característico do leite animal ou derivados (laticínios) que produz alterações abdominais, no mais das vezes, diarreia, que é mais evidente nas primeiras horas seguintes ao seu consumo. O portador da intolerância poderá queixar-se também de aumento dos gases e de cólicas abdominais

    Como se desenvolve?

    Na superfície mucosa do intestino delgado há células que produzem, estocam e liberam uma enzima digestiva (fermento) chamada lactase, responsável pela digestão da lactose. Quando a lactose é mal absorvida passa a ser fermentada pela flora intestinal, produzindo aumento de gases, cólicas, podendo ocasionar diarréia. Existem pessoas que nascem sem a capacidade de produzir lactase e, enquanto bebês, sequer podem ser amamentados, pois surge implacável diarreia. Por outro lado, em qualquer época da vida pode aparecer esta incapacidade de produção ou uma inibição temporária, por exemplo, na sequência de uma infecção alimentar que trouxe dano à mucosa intestinal. Igualmente, a dificuldade pode advir de lesões intestinais crônicas como nas doenças inflamatórias, doença celíaca, giardíase, desnutrição e também pelas retiradas cirúrgicas de longos trechos do intestino.

    A deficiência congênita é comum em prematuros nascidos com menos de trinta semanas de gravidez.

    Nos recém-nascidos de gestações completas, os casos são raros e de caráter hereditário.

    A concentração da lactase nas células intestinais é farta ao nascermos e vai decrescendo com a idade.

    Estima-se que de 25 a 40% da população mundial tenha algum grau de intolerância ao leite

    O que se sente?

    É variável de pessoa a pessoa e de acordo com a quantidade ingerida.

    Assim, a maioria dos deficientes de lactase pode ingerir o equivalente a um ou dois copos de leite ao dia, desde que com amplos intervalos e não diariamente. Ainda que minoritários, não são raras as pessoas que, desde pequenas, evitam ou não gostam do leite, mesmo sem se darem conta que são assim porque o leite e derivados lhes faz mal.

    Os pacientes percebem aumento de ruídos abdominais, notam que a barriga fica inchada e que eliminam mais gases. Quando a dose de leite ou derivados é maior surge diarreia líquida, acompanhada de cólicas. A queixa de ardência anal e assadura é porque a acidez fecal passa a ser intensa.

    A maioria dos pacientes que só tem intolerância a lactose, não tem evidências de desnutrição, nem mesmo maior perda de peso. Quando isso ocorre, pode haver a associação da intolerância com outras doenças gastrointestinais.

    Como o médico faz o diagnóstico?

    Frequentemente a intolerância à lactose é sugerida pela história clínica, principalmente quando os dados são definidos e especificamente perguntados.

    A diminuição de sintomas após algumas semanas de dieta livre de lactose serve como teste diagnóstico/ terapêutico.

    O Teste de Tolerância à Lactose é o usado em nosso meio.  A ocorrência de diarreia, ainda no laboratório e ou nas primeiras horas a seguir, reforça a conclusão de diagnóstico positivo para intolerância à lactose.

    Como se trata e como se previne?

    Uma vez caracterizado o diagnóstico, pode se prevenir novos sintomas não usando leite e laticínios. Usando-os, a prevenção é mediante a tomada de fermento sintético previamente a qualquer ingestão de lactose. Cabe salientar que vários medicamentos, inclusive antidiarreicos e anti-reumáticos contêm lactose no chamado excipiente, ou seja, no pó ou no líquido necessário para poder conter a substância básica num comprimido ou solução; isso é importante quando avaliamos os efeitos indesejáveis referidos pelos usuários.

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